segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Limbo.

Eu não acredito, mas eu não peco;
Eu não sigo, não defendo, tampouco condeno.
Eu choro, eu me arrependo;
Eu peço piedade, eu sou humilde;
Mas tenho a crença em mim mesmo;
Banhada não pelo sangue divino;
Mas pelas minhas perspectivas.
Eu gozo a luz, eu me afogo na escuridão;
Eu sou inteiramente matéria, mas possuo uma alma;
Calma, ódio, rancor, ócio, amor.
Sou alienado, sou insano, sou pensador.
Sou a mistura lasciva entre tudo e nada.
Alternância delinqüente
Loucura momentânea
Cegueira racional.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Mais-Que-Perfeito

As principais indagações
Modernas descrições
Da vida contemporânea
Sempre se desfazem pelo atrito.
Vivera um conto de fadas mórbido
E permanecera em um campo inválido.
Com sua procrastinação à tona;
A multiplicidade do seu caráter que esvaecera.
Nada mais que uma simples evasão meticulosa.
Andara fora da sociedade;
Cantara canções do passado;
Com o pé fincado em um presente desprovido de esperança.
Eis que a secura de seus lábios acabara-se;
E as palavras chegaram em sua boca;
Como um perfeito circuito entre o homem e os deuses.
Não houvera mais espaço para tanta perfeição dentro de um indivíduo deste tipo.

E como todos nós, soubera que a vida, injusta como ela só
Esvaziara seus múltiplos sonhos pré-fabricados
E, como uma máquina de destruição em série
Esmagara sua vitória.
Não houvera mais espaço para nada mais disso.

Viajara sete mares, ganhara fama.
Pelas mãos imaculadas do destino
Que se baseara em uma lânguida sensação de existencialismo
Com suas crises fartas de dor e de impiedade
Matara várias pessoas indiretamente.

- Nada faz sentido! - Exclamara.

Não adianta.
Nem o futuro nem o presente alegra quem vê o seu passado-mais-que-perfeito.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Abstração

Entonei minha voz
Retornei ao meu posto
E renovei tudo, para dar um ar novo a mim mesmo
Fugi para as montanhas
Para outro plano
Não necessariamente plano
Escolhi meus amigos a dedo, e eles apontaram para mim
Não escolhi ninguém para conviver comigo
Convivo comigo mesmo
Num ápice supremo de solidão.

Isto se faz necessário, e se faz na ordem da vida
Vida ordinária!
Tenho dois planos:
Um deixa minha mente nas nuvens
Outro faz as nuvens virem à minha cabeça

Como um sonho desleixado
Empurro tudo
Empurro a vida
Empurro a morte