sábado, 31 de março de 2007

Esmaecimento - Parte I

Estado Primário.

Estive retratando o mundo atual.
A passo fundo, retendo o luar.
A uma velocidade elétrica, fenomenal.
Um ardor vindo no corpo, esmaecimento a se dispersar.
Uma incrível devastidão de locais para me localizar.
Venha e faça as folhas caírem, passe seu sopro gelado sobre minha nuca.
Que estado mais estranho.
Os frutos da minha estação mental
Por mais que eu tente esquecer as origens de um verão cheio de luz.
E por mais que as estações não signifiquem nada, eu insisto.
Minhas rimas vão acabando com o tempo e apenas meu sentimento fica à mostra.
Outra vez, me sinto diferente.
Me sinto transparente.
Indiferente, impotente, incandescente.
Ardo nas águas que me refrescam.
A linha do amor e "não-sei-o-quê"
Unidos em minhas palavras em um discurso direto.
Eu jogo meus versos ao vento e eles vão se empilhando sozinhos.
Como um livro que conta uma estória, da qual apenas eu sei.
Na verdade não há estórias reais ou imaginárias.
São apenas relatos.
São apenas relutos.
Que sinceridade absurda ao escrever.
Que honestidade em não escolher as palavras, como geralmente faço.
Comecei poeticamente, e meu cérebro manipula as palavras sem piedade.
Esta é minha verdadeira alma, estou nu diante das palavras.
Essa é minha verdadeira calma, estrada para a minha serenidade.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Disfarce.

Como o homem jovem pôde deixar sua inspiração?
Deixar sua máquina de escrever embolorando?
Ah! Ele apenas quis dar um tempo para sua criação!
E deixar suas palavras ao léu, que ao céu vive incitando.
Poderia lamber o açúcar presente em suas mãos,
Que trabalham de acordo com seu cérebro coberto pela calma
Que trabalha com seu coração.
Que escreve instintivamente com sua alma.
Ele parou por um tempo.
Parou de escrever, mas não de sentir.
Por um tempo, provar o açúcar de sua mão e se redimir.
Esquecer de poesia por um tempo e sucumbir.
Entrar na Terra do Nunca por um momento e sumir.
Conseqüência de um excesso de escrita.
Conseqüência de uma normalidade anormal em sua vida.
O homem jovem deixa seu jardim da poesia.
E clama aos céus apenas por amar em demasia.
É o máximo que ele pode agüentar.
Abrir a porta do carro para uma jovem e deixá-la entrar.
Olhe para seu rosto.
Faça isso ao teu gosto.
Onde está seu romantismo?
Onde estão seus -ismos?
Foram-se com o tempo, como um turbilhão.
Estavam aqui, escritos em sua emoção.
Às vezes eu acho que ele escreve com açúcar na mão.
Ele volta a escrever, mas se disfarça para isto.
Suas palavras adocicadas tocam todo mundo.
Mas ainda seu gosto na boca é meio amargo.
E ele tem capacidade de cantar uma música com uma lágrima no fundo.
Transformar alguns versos em um profundo afago.
Uma mescla de felicidade e solidão, da qual só Deus pode entender.
Não se sente sozinho, apesar de com o tempo esmaecer.
Pessoas que escrevem deveriam ser proibidas de sentir.
Os textos se tornam passionais demais para uma pessoa ler.
Tão cheios de sentimentos profundos, que alguém poderia se ferir.
A pessoa tomará a dor deste homem, e pegará a esperança que ele traz.
"Poetas estúpidos, não servem para nada."
Penso, sem nenhuma dó do rapaz.
Mas a medida que escrevo isso, a poesia se forma e se satisfaz.
Acabei de tomar a dor deste jovem e esqueço minha meta.
Na verdade, estou dentro de minha sala, disfarçado de poeta.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Arcas Mais Velhas.

"Arcas mais velhas se revelam como fendas em uma parede.
Começando pequenas, mas crescendo com o tempo.
E parece que sempre precisamos da ajuda de alguém.
Para consertar aquela estante.
Há livros demais, leia-me sua frase favorita.

Papai foi para outras terras e encontrou alguém que entende
O tique-taque, e a necessidade do homem ocidental de chorar
Ele voltou há alguns dias, sabe...? Algumas coisas na vida podem mudar
E algumas coisas permanecem iguais

Como o tempo, sempre há tempo em minha mente.
Então passe por mim, eu ficarei bem, apenas me dê um tempo.

Senhores mais velhos sentam-se em uma cerca com seus quepes nas mãos.
Parecendo grandiosos, eles observam sua cidade mudar.
As crianças gritam, pelo menos parece, mais alto do que antes
Nas ruas, e dentro de lojas com nomes maiores.
Mamãe tentou lavar-lhes o rosto, mas essas crianças perderam seu encanto.
E o papai perdeu nas corridas vezes demais.

Ela sucumbiu outro dia, sabe?
Algumas coisas na vida podem mudar,
Mas algumas coisas permanecem iguais,
Como o tempo, sempre há tempo em minha mente.
Então passe por mim, eu ficarei bem.
Apenas me dê um tempo."

Composição: Damien Rice

sábado, 24 de março de 2007

Rindo Sozinho.



Perguntaram pro gracejador se ele era feliz.
Do jeito que vivia, do jeito que ria.
Ele respondeu bravo, dizendo que tinha a vida que quis.
Que era comediante, mas que sua vida era mais que pintar o nariz.
E isso e outras coisas ele dizia.
Mas eu não me lembro bem.
Mas eu me lembro que ele foi além.
Perguntaram se ele era triste por não ter ninguém ao seu lado.
Soltou uma grande gargalhada.
Debochando do entrevistador, com sua cara varrida:

"Rapaz, isso é apenas uma piada?
Se for, foi a melhor que ouvi na minha vida!
Não preciso de ninguém, nem no meu leito nem no meu altar.
Dou risada e gosto de poucas pessoas, o meu fraco é amar."

Por fora ele ri, mas por dentro ele se martiriza.
Enquanto sai do circo e toma da manhã a fria brisa.
Lembrando que já fora feliz.
Que já teve pessoas especiais ao seu lado.
Que trocou sua casa pela lona e pelo uniforme rasgado.
Ele não tem a vida que quis!
E neste dia, uma falsa entrevista foi ao ar:
Intitulada de "O palhaço que não sabe amar."

quarta-feira, 21 de março de 2007

Ficção Científica.

Tentei por muito tempo, estar ciente.
Me sentindo apenas parte da ciência.
Me sentindo espremido, impaciente.
Me exprimir, me expressar.
Não como uma pessoa qualquer, coerência.
Jogando expressões de desânimo no ar.
Enquanto resisto a resistir, resistência.
Passei noites em claro, tentando manipular a serotonina.
Tentando juntar ligas carbônicas para formar cristais.
Criando medicamentos para aliviar sua dor, menina.
Pensando o que fazer e o que não fazer, jamais.
E com a minha mesa de experimentos exposta,
Fechei minha cabeça a uma felicidade imposta.
Com esse meu rosto exposto.
E tudo o que me foi imposto.
O cristal se formou, mas virou carvão.
E todos os meus medicamentos têm algum tipo de contra-indicação.
Toda serotonina criada, causou apenas desespero às minhas cobaias.
Minha apresentação científica fora coberta por vaias.
Mas é apenas ficção.
Aprendi que ninguém manipula sentimentos ou a felicidade.
Que ninguém pode criar fortuna ou amizade.
Ficção.
Ainda bem que é ficção.
Sou um cientista frustrado.
Um homem prostrado.
E abandonei essa minha profissão.
E aqui faço minha confissão.
Mais que isso, digo com sinceridade:
Cada dia que você tenta fazer a fórmula da felicidade
É um dia a mais debitado na sua idade.
Pois ela aparece em sua vida, em abrupta serenidade.

sábado, 17 de março de 2007

A Arma, A Alma e A Calma.

Quando os soldados abaixarem suas armas haverá paz, não é?
Não é?!
Eu sou um soldado, e irei abaixar minha arma.
Não resolveria nada te matar.
Existe paz apenas por isso?
Era para existir, eu abaixo minha arma e mantenho meu punho fechado, em direção à sua cara,
Para que meu soco te ensine algum tipo de lição.
De que adianta abaixar minha arma?
Minhã mão está alcançando seu queixo.
Está quase fora de controle.
O controle do mundo está se fechando contra ele mesmo.
Na verdade, o controle está fora do controle, fora de controle.
Na verdade, tentamos controlar e não vemos o quanto somos controlados.
Paro minha mão.
Do mais, continuo com o punho aberto em direção à sua bochecha
Para te acordar desse sonho absurdo.
Sonhar que você pode controlar a realidade.
Achar que pode ter este lugar inóspito na palma de sua mão.
Treinar diálogos no espelho e fazer expressões faciais, para descobrir quem você é.
Tentar mostrar serviço à um líder que te controla.
Colocando sua alma desse jeito na minha frente.
Eu condeno o esforço, pois ele pode ser em vão.
Mas também o acho essencial, pois ele que te fortifica.
Abaixo minha mão e aperto a sua.
Você é igual a mim, caro amigo.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Recital de Insultos de Styr.

- Bom dia pessoal, meu nome é Styr.
Hoje eu queria fazer algo diferente hoje.
Algo diferente na minha peça de teatro.
Algo que nunca fiz antes, em toda a minha vida:
Mandá-los para a PUTA QUE OS PARIU!

*vaias*

- Puta merda, vocês não têm o que fazer?
Vir à essa merda de espetáculo para esquecerem suas vidas vazias?
Esquecer do trabalho que sustenta vocês?
Vocês riem aqui, e suas vidas continuam como lixo, de que adianta?
Vocês levantam e se esforçam, mas não fazem nada para mudar o mundo!
-Alguém está assistindo vocês pelo lado de cima, e este alguém está decepcionado com vocês.

*vaias*

- Vão se foder! Que mesquinharia!
Estou entediado com toda essa massa de "pessoas comuns".
O que é comum?
Ter um sonho pequeno e humilde?
Jogar toda a porcaria que você faz no mato?
Levantar cansado, ficar cansado durante o dia e ir dormir quase morrendo?
Essa rotina de vocês tirou a merda do conceito de felicidade das suas cabeças.

*silêncio*

Você, jovem!
Você mesmo!

*chama um garoto de dezenove anos*

- Você é "Um".
Um idiota.
Por achar que é normal.
Por achar que é MAIS UM.
Você é especial, porra!
Vá além e sonhe.
Que merda moleque!

*empurra o jovem, fazendo-o cair no chão.*

- Quantas vezes você jogou pessoas na lata do lixo?
Quantas vezes?
Seu cretino!
Pessoas que gostavam de você, seu idiota.
Aqui não é mais um simples espetáculo, é sua redenção social.
Toda a merda que você fez, toda essa sua arrogância.
Esse teu jeito me enoja.
Todo fortão num dia, e tão fraco no outro.
Você está sujo e humilhado agora, mostre quem você é.
Vai logo moleque!

*o garoto se senta na platéia, e Styr volta a falar com o público*

- De que adianta ficar pregado num livrinho "B" qualquer?
Sua cultura é um lixo, e sua cultura deixa você chato.
A cultura inútil apodrece as pessoas, as deixam com o ego muito alto.
Esse ego de vocês está muito alto, e vocês precisam abaixar isso.
Vão procurar uma instituição qualquer.
De preferência um manicômio.
Esse ego alto de vocês é caso de internação.

*silêncio*

- Seus filhos da puta, a vida não é como um teatro.
Não fiquem atuando quem vocês são, estúpidos.
Olhem para frente.
Se vocês não olharem, chutarei vocês, na bunda.
Cada um de vocês, são cada um.
Essa revolução conjunta me enoja.
A verdadeira revolução acontece dentro de você.
Não pare.
Não sejam esses animais mecanizados.
Esses bichos mentirosos.
Sejam vocês.
Eu pinto a cara e finjo ser outra pessoa porque é meu trabalho.
Se fingir por outra pessoa não engorda suas contas bancárias.
Otários.
Não esqueçam de toda essa merda que disse aqui pra vocês hoje.
Vocês são especiais, e têm sonhos.
E é isso que vos iguala a todo mundo.

*encerra, chamando o jovem ator de 19 anos, dando as costas para o público.*

sábado, 10 de março de 2007

Um Tal de "Não-Sei-O-Quê"

Os poetas mortos dizem, falam sobre um tal de "não-sei-o-quê".
Que "não-sei-o-quê" é ferida que dói e não se sente.
Que "não-sei-o-quê" é fogo que arde sem se ver.
Que é o descontentamento descontente.
Que "não-sei-o-quê" é uma dor, um tédio.

Mas "não-sei-o-quê" é justamente a arte de não saber ao certo o que se sente.
É algo que não se explica.
Que não precisa ser explicado.
Pois você sabe o que é, mas não sabe definir.
Não adianta ficar inventando significados para o que não se sabe.
Definições estúpidas para algo que está aí dentro de você.
Está aí e pronto.

Até inventaram uma palavra específica para isso:

As pessoas usam demais, ou de menos.
Merecidamente ou não.
O substantivo é simples e significativo.
Resta apenas dizer que depende do conceito.

Não adianta ficar utilizando princípios bestas.
Frases feitas.
Metáforas.
Sinestesias.
Tudo isso é muito vago para o entendimento de algo que não se sabe realmente.
E "não-sei-o-quê" você pensa, todo dia.
"Não-sei-o-quê" está aí!
E eu sei porque está!
Está aqui dentro.
Eu sei por que me disseram.
Em sonhos.
E nos meus mais estranhos pesadelos.
"não-sei-o-quê" acontece.
E você se vira, com a confusão nos olhos.
Justamente por não saber, ou saber demais.
É um ciclo, sabe?
Isso soa repetitivo.
Mas não sei ao certo se você sabe.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Vigésima Postagem



É minha vigésima postagem. Às vezes, as palavras faltam, sabe? Sabe?
Eu sei que você sabe.

domingo, 4 de março de 2007

Estranhos Por Um Minuto.

Estranhos por um minuto, conhecidos pela eternidade.
De um mundo que possui as mesmas coisas, mas não a mesma idade.
Somos dois, dando um nó na vida, crendo em um futuro reluzente.
Distanciamento das palavras, e um abraço caloroso enche isso.
Preenche, e sinto que meu peito chora por mais.
Me dê este seu sorriso e me deixe feliz, conte uma piada.
Essa tua seriedade me cega os olhos, e essa sua fé me enche de alegria.
A rua fica pequena diante de tanto espaço.
E pai, quantas vezes andei na sua cola, tentando colar seu jeito de ser?
Não há razões para mantermos esse palmo de distância entre nós.
Me abrace forte, sou um filho perdido em pensamentos.
A claridade dos seus olhos, refletindo a divindade em seus óculos.
A verdade em saber, um amor recíproco sem reciprocidade.
Sua calma me acalma, seu jeito me fascina.
Introversão.
Esta serenidade que parte nossos corações.
Faz muito frio, e posso estar equivocado,
Mas esse nosso amor distante nutre, e estamos nos importando com isso.
Mesmo que não pareça.
Sim, mesmo que não pareça.

Dedicado ao meu Pai.