domingo, 30 de dezembro de 2007

Ansiedade Mórbida.

E afora a profundidade emana as lágrimas
Que deveriam provocar catarse súbita
Com as velhas excitações que a vida me promoveu
Espero de Deus ou de sábias entidades
Lavar meu espírito com sangue.

Eu sou as águas das enchentes
A luz que apaga enquanto as outras acendem
Suave compromisso gravado na madeira da árvore
Sentimental, procuro sempre meu espaço
Semeando e regando uma Terra tão desnaturada
Que vida é essa?
Que vida está por vir?

Para tudo, existe uma saída
Mesmo que seja pular do quinto andar
Para se livrar da facada do assassino
E morrer por si mesmo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

???

Se ao menos o toque celestial
Infiltrasse corpo adentro
E evitasse
Uma mágoa relapsa inconseqüente
Que resplande os votos da ignorância
Escapando da realidade
Contando cordeiros
Que pulam em câmera lenta
As horas não passam
O tempo me é inimigo
Sempre correndo atrás
Justificando o que nunca fui
Eu me atiro da montanha
Onde os monges falharam em meditar
O ar me é peculiar
As árvores
As sombras
As terras.

Perco o tempo. Perco o ar.
Perco a fala.

E saio da solidão absoluta, para conviver comigo mesmo.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Da Reconstrução à Explosão.


Numa folha qualquer eu reconstruo o arco íris;
E com suas demais cores vou reconstruindo o mundo;
Para reconstruir os poetas feitos de aço inoxidável.
Ser ou não ser construtor, eis a questão.
A questão é que cansei de apenas reproduzir o que sei.
Ao invés de desenhar, eu esboço um sorriso no rosto.
E me concentro apenas em navegar, apenas preciso.
Cada distância a mais é um quilômetro
As horas passam como minutos
Aceitando a luz do dia, como quem reconstrói o passado.
Chega!
Progressão é uma tremenda ilusão.
Como se o diferente fizesse difereça.
Como se a diversidade nos fizesse múltiplos.
A mente é a mesma, e o estado de espírito é frágil.
Até quando terei de dizer;
De condenar a condição humana?
Filósofos vagabundos!
As questões estão além do nosso alcance,
E a morte é complexa ao ver de qualquer um.
Coloque uma dinamite em um prédio e o exploda, com você dentro dele.
O que não edifica, explode.
Não necessariamente em suas mãos.
Não necessariamente em você.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Transição.

Como as mágoas que se afogam
E a agonia que se joga fora
Por ser um libertino aleatório
Que joga sua alma no fundo do poço
E a reergue, como o homem mais forte do mundo.

Lágrimas secas expiram
E me inspiram a existir
E me impedem de desistir.
E concomitantemente a vontade de viver mais intensamente.

É transição da fé para a crença no deus nada.

domingo, 21 de outubro de 2007

Casa.

Se ligarem para mim, diga que estou ausente
Diga que fui embora, para bem longe.
Para ter a certeza meramente peculiar de que alguém se importa,
Antes que a insatisfação bata à minha porta.
A cada pedra fora do caminho, um musgo para escorregar sobre
Isso é realmente necessário.
Apenas me deixe sozinho.

Se alguém citar meu nome, diga que morri.
Pelo menos para que a pessoa tenha uma comoção em meu nome
Não jogarei maldições em ninguém por existir demais
Apenas tentarei fazer minha própria diferença.

Se alguém vir aqui em casa, mande embora.
Não deixe ninguém entrar
As luzes estão apagadas
Os ventiladores estão desligados.
Saia da minha casa.

Pelo menos uma vez na sua vida.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Centelha da Revolução.

Me deparei amargamente com os ternos temidos
A intriga oposicional, complexa, intacta
Enquanto aviões caem desesperadamente
Em uma tentativa vã de amargo descontentamento
E um molusco que consegue acabar com nossas férias tranqüilas
Em um litoral de pobreza, fome e miséria.

Mas afinal, quem sou eu pra denunciar?
A centelha da revolução não nasce em mim.

Me deparo constantemente com a depravação
Enlouquecida, feita de aço e fogo
Magnum calibre quarenta e cinco, carregada
Apontada para a cabeça vazia de um inocente.
Enquanto sanguessugas comandam os sete mares do Brasil
Apenas esbanjando aquilo que ninguém sabe ao certo o que é.

Afinal, quem somos nós para denunciar?
A centelha da revolução nasce em nós, mas insiste em morrer.

Se um dia eu tiver minha cabeça perdida
Por ouvir um noticiário mal comentado
Ou ler uma revista extremamente parcial
Me afogue no poço de ignorância.
O monstro fúnebre dos furtos.

Afinal, pergunto: quem somos nós para denunciar?
Quem somos nós para evitar?
Para incitar a revolução?

Somos nós! A própria revolta
A própria revolução.

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sábado, 28 de julho de 2007

A Volta Triunfal.

Em seu cavalo ele monta,
Relinchando palavras passionais,
Tacando seus estribos fora.
Os estribos que prendem sua língua.
Naturalidade enlouquecida, ele retorna ao seu posto.
A volta triunfal.
Para jogar seus versos contra a maré da sociedade.
Denunciar a tristeza e o falso moralismo.
Este é seu propósito.
Provavelmente ele montará no cavalo mais habilidoso,
Para poder contornar os problemas mundanos.
E também, provavelmente voltar ao seu cenário poético!
Olha veja! Um cavaleiro poeta!
Cruza de leste-a-oeste, tomando seu ponto de referência.
Destruindo os cadáveres ambulantes do passado,
E colhendo, mais uma vez, o que havia plantado,
Não importa se fosse trigo ou milho,
Ele quer espantar as intrigas e andar milhas e milhas.
Distante, se revolta e depois retorna.
Acho que você já ouviu tudo isso antes,
Trocentas vezes.

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quarta-feira, 25 de julho de 2007

Desinteresse.

Posso crer
Posso obter
Esclarecer
Coisas desinteressantes
Só acontecem
Com gente desinteressante.

Se meu céu aquece
Sonhando seco
O vento venta na viela
Violentamente
Como quem procura se interessar

E meus interesses
Desinteressados às partes
O desinteresse das pessoas
Comigo, tão desinteressante

Se meu interesse interessasse a alguém
Talvez eu não me importasse
Seguiria o ritmo da melodia com classe
Com o desinteresse geral pelos desinteressados
Ninguém se interessa, ainda bem.

O desinteressa das pessoas por você
Apenas mostra o quanto você é desinteressante.

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quinta-feira, 19 de julho de 2007

Falsos Poetas.


Falsos poetas corroem a democracia,
Num tom alto de dó si lá sol ria ria
Castrando os filhos cortados pela metade
Fazendo um estardalhaço em pleno halo da luz do dia.
Pentelhando os domínios englamourados da vaidade.
Juro! Eu não queria!
Jogar minhas falsas palavras enquanto você sorria.
Ouvir com meu ouvido de látex enquanto você dizia.
Comtemplando a tempestade torrencial da meia noite.
E tentando ameaçar a Morte com uma foice.
Foram-se minhas esperanças da criação.
E por mais que eu tente, minhas expressões perdem inspiração.
Estadia clandestina no hotel da vida.
Acho que não possuo cacife para não me entediar.
Em um quarto pintado com a tragédia enlouquecida.
Vindo para morrer, suposto por enterrar.
A falsa poesia adentra às minhas células
E a ex-canção dos versos presentes em vã concepção.
Conceituadas por uma desordem sistemática e sintomática.
As asas da emoção.
Cortadas.
Esteja firme e forme, a falsa poesia lhe entrará nos seus ouvidos verdadeiros.
E nem a verdadeira poderá retirar essa programação da sua mente.
Você está diferente.
Nem a verdadeira.

Dream Theater -
Status Seeker


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quinta-feira, 28 de junho de 2007

Relapso.

Relapso das minhas rimas,
Me levando à espera-sem-fim em senso de monotonia.
Este é meu relapso, minha revolta,
Minha redundância.
Minha segunda parte.
As infindáveis brigas com minhas fronteiras mentais,
O paradigma criado por uma sociedade controversa,
E as melhoras por onde onde não há o que melhorar.
Quando se ganha um dia a mais e o desperdiça.

Filósofos perdem muito tempo filosofando;
Poetas perdem muito tempo fazendo poesia;
E todos nós perdemos nossos tempos.
Não sabemos mais como expandir nossas capacidades,
Se cada dia aqui é motivo para agradecer,
Eu apenas fico indiferente, cada dia a mais.
Agradeço por agredecer, como agradeceria a alguém que me passasse algum condimento na mesa, durante a hora do jantar, para que eu possa temperar minha comida tão sem tempero.

É o relapso da minha poesia.
Sem morais, sem Moraes ou qualquer outro tipo de poeta.

Apenas eu.

Vamos nos livrar um dos outros, e mandar tudo para o além.
Por nós mesmos.
A união desunida.
Se juntarmos qualidades, teremos que juntar defeitos.
Pois ninguém pode ser cem por cento calma.
Nem cem por cento carma.
Amém.
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quinta-feira, 21 de junho de 2007

Esmaecimento Parte III.

Uma Parte Existente, Para Fora.

A alegria que se exalta,
É em suma a felicidade que hesita.
A melancolia que existe,
E a felicidade que insiste.
A razão que merece explicação,
As explicações que estão além de nós,
Fazendo um halo da luz do dia,
E uma consagração à luz eterna.
A noite não se cansa de ventar,
E de deixar o frio à flor da minha pele,
Estas noites longas e curtas,
Se eu sonho contigo,
Eu não sinto vontade acordar.
Meus domínios, dominados.
E para longe eu gostaria de ir, por um momento.
O sentimento de estar perdendo tudo.

Mentira. Pura enganação.

Estou ganhando tudo, inclusive uma alma renovada.
No café, no almoço, no jantar.
Estou perdendo apenas minha sanidade, por bobagem.
Bobagens.
Bobagens que se instalam em meu sistema emocional.
E que cumprem seus papéis de me chatear.
As manhãs preguiçosas, um brinde às tardes, um brinde às noites tristes e decadentes!
Essa é a parte três de muitas partes que podem ou não serem descritas.
Quatro...
Cinco...
Seis...
Podem existir quantas partes forem!
Poéticas ou não, haverão enquanto eu existir,
E felizes ou tristes, elas existirão enquanto houver a mim mesmo.
Cada dia mais eu desisto das razões,
E vou atrás das minhas decisões.
Dizia o poeta que era fingidor, não quero fingir.
Quanto mais eu finjo, mais medíocre eu fico.
Melhor trilhar o caminho da verdade do que ficar se culpando pelas mentiras.

E mais uma parte minha transformada em letras foi exalada. Instalada, liberada.

Sim.

/Playlist Nightingale - Belief

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domingo, 17 de junho de 2007

Metrôs.



As pessoas lotam.
Lotam suas cabeças,
Lotam.
Entopem seus mundos,
Entopem suas artérias de álcool,
Se entorpecem.
Lotam suas memórias,
Lotam suas cabeças de preocupação,
Lotam seus corações de emoção,
Para não haver espaço para mais ninguém.
Lotam-se de obrigações,
Entram no metrô lotado, apenas para desembarcar.
Desembarcam no ponto mais perigoso,
Para enfrentar a fila lotada e ficarem cheias de si.
E no fim,
Acabam-se por morrerem vazias por dentro.


/list Hypocrisy - Fusion Programmed Minds

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sábado, 16 de junho de 2007

O Sentido Horário Dos Erros.

O mais engraçado é que achamos que somos os corretos.


/playlist Hillsong - Tell The World


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quinta-feira, 14 de junho de 2007

Sabia.

/list Marillion - Neverland

Fantoche da Esperança

Quando as expectativas acabarem
E as desesperanças vierem à tona
Darei mais valor a quem não está em mim
Colocarei mais personalidades em meu imenso plano espiritual.
Acreditava que era carne e sangue, até meu sangue correr rápido pela minha carne, bombeado por um coração disparado.
Que quando não bater mais, estará disposto a morrer momentaneamente.
Quando as esperanças acabarem, ficarei pasmo pela falta delas.
Quando acabarem, encontrarei outro porto para amarrar meu barco,
Enquanto o mesmo se enche de esperança com o passar dos dias.
Eu costumo dar um nó cego em minhas cordas, inclusive as vocais.
Na verdade, eu me sinto um fantoche de mim mesmo.
Do que estou me protegendo?
Quando as esperanças acabarem, haverá dor.
Talvez a mais dolorida de todas.
Mas as esperanças não acabaram, não pelo menos para mim.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Melodia.

Uma canção para a vida, uma canção para a esperança.
Dezenas de orações desferidas da boca de uma agora criança.
As partes se tornam um todo, as metades se unem,
Os lindos acordes se fundem, em uma música ritmada
Uma melodia rimada, que mistura tudo que eu vi.
Tudo o que gostaria de ver, o que sentirei e o que senti
Canto com minha voz entoada em dó triste e amargo
E não conseguirei relembrar meu passado em ré.
Quando todas as melodias parecem coexistir na minha cabeça
Quanto a perturbação de uma vida parada é um timbre soprano na mente
E os mesmos assuntos fazendo que eu não lhe esqueça.
Tudo o que já foi, é a alegria perseverante que se sente.
A melodia, já foi cantada várias vezes,
E distante é a palavra que mais aparece
Os momentos divinos que minha memória não esquece.
As cortinas parecem estar atrapalhando a apresentação do meu artista interior.
E qualquer refrão pegajoso será cantado até o final de um semestre.
Pra todo ano, os versos esparsos em uma serenata sentimental.
E pra toda vida, cantarei até a rouquidão total de minha voz.
De Janeiro a Dezembro, de Páscoa até Natal,
Com o ano em seu final, para todo o sempre.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Outono.

O término ainda não chegou
A vida tem motivos para fluir
Conquistas confortáveis a se atingir
Deixe-me contar minha vontade de te abraçar
Nessa manhã chuvosa, deixo meus dedos fluirem sobre o teclado.
E por um momento, o outono se põe dentro de mim
Esperando as emoções de um frio inverno
Então coloco minha vista sobre o sol poente
Coberto pelas nuvens, que mesclam vermelho e azul
E admiro tais belezas, constantemente
A que está à minha frente e a que está em meu coração.
Uma delas não está em meu alcance, quem dirá a outra?
Ontem era um homem perdido
Hoje entendo as coisas quase que completamente
As transformações vividas tomam um rumo distante
Como as próprias folhas do outono que vão embora
Para se decomporem e se formarem novas flores
Exatamente o que quero dizer
Tudo muda e tudo permanece igual
Então serei o mesmo, diferente.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Mais.

Disposto a escrever, mãos trêmulas
Abdicando minhas metáforas com o passar do tempo
A luz baixa torna tudo mais dramático
O tempo aproxima minha alma
Sedenta por mais
Mais
Mais do que posso sentir
Mais do que posso oferecer
Mais do que posso chorar
Quando o sono libera sonhos
E quando os sonhos trazem sono
Para nunca acordar, não se justificar,
Não parar de sonhar.
A náusea de hoje é o riso de amanhã.
E os belos momentos do agora, são os remorsos do depois.
Mas acho que não me arrependeria de nada que fiz.
Se nada é em vão.
Se eu pudesse ao menos...
Nunca me faltaram tantas palavras.
Basta olhar dentro dos meus olhos e ver...
Ah, esquece.

domingo, 6 de maio de 2007

Don't Bother.

Não faço das minhas as suas palavras. Palavras não definem pessoas, apenas as justificam. O que está em jogo e o que importa é o olhar que a pessoa põe sobre você. Isto é o bastante para mim, olhar no ponto mais escuro dos olhos e ver uma luz dentro deles. O que você diz de importante, talvez não seja tão importante assim.
As pessoas gastam suas vozes, e antecipam o que sentem, nada pode ser reconsertado a partir do momento em que palavras saem para ferir. Amizade, amor, carinho, estes valores são como papéis, podem ser reciclados, mas nunca serão como antes. Amasse um papel e depois tente desamassá-lo. Você aprende a olhar as pessoas de forma diferente, de fôrma diferente; olhar no fundo dos olhos delas e sentir o que elas sentem; absorver o que elas te passam.
Importe-se e pare de ficar se importando, por mais complexo que isso possa parecer.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Esmaecimento Parte II.

Epílogo do Prólogo.

Os castelos restaurados,
As jangadas no oceano.
Esmaecem os dias contados,
Enquanto minha alma se põe em outro plano.
As coléras desabadas,
As renúncias desaforadas,
Marcam de certa forma o tempo,
Dizendo adeus ao esmaecimento.
E colocando o novo em seu lugar.
Planando nas colinas do amar, ao mar.
Jogando fora o mundo em relento,
E se deixando levar pelo vento.
O esmaecer diário do impossível.
E a confirmação direta do possível.
As vãs lembranças da distância de ti.
Me prostro em admiração
E jogo ao vento minha emoção
E tenho em ti meu coração
Enquanto sou guiado pela tua mão.

Venho e levo minhas tralhas.
Faço minhas malas e vôo ao céu.
E de uma vez por toda admito minhas falhas.
Minhas palavras não serão mais jogadas ao léu.
Não serão categóricas, virão do meu coração.
E darei esperança, com o simples estalar de sua mão.

Enquanto meu exílio clama pelo amor constante
Marcam o início do meu esmaecimento
A manifestação do meu contentamento
E meu sorriso manifestado a todo instante.
E o adeus desaparecerá, sairá de mim.
Um singelo tchau, um abanar da mão.
E tudo o que posso dizer é sim.
Enquanto a paz invade meu coração.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Histórias Na Margem do Oceano

Guardei minha concha na porra do oceano.
E as dúvidas recorrentes do que amo.
Contemplo a margem com as ondulações mentais.
Visualizando as ondas quebrando pouco reais.
Sem uma jangada, atravesso o mundo nadando.
E forço a vida a me levar para frente, chorando.
Minha história nunca foi contada antes, como já percebi.
E dentro na minha mais pura e fria alma magoada morri.
Joguei-me dentro do mar congelado, infelizmente.
Me jogo no mar por não conseguir te tirar da minha mente.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Denúncia Maçante.

Mundo mundo, pequeno mundo.
Mesmo que me chamasse Raimundo.
Não adiantaria muita coisa pra mim.
Rimar e rimar versos de dois em dois até o fim.
Estou perplexo com minha pequinez.
Injuriado com a moléstia que tu não vês.
Ganância e preconceito,
Palhaçadas em meio ao pleito.
Dinheiro ao alto mar afora.
Com a maçante denúncia que lhes implora.

A situação pena diante a sorte
Reduzidas as taxas da sentença de morte.
Armas, bestas mecanizadas jogam tiros pro ar
Enquanto monitores coloridos pregam o falso amar.
Jogam-se dos navios e se afogam no petróleo.
Enquanto trabalho e destruo meu dispositivo ósseo.

Paz por um momento:
Um memento.
Chega de destruição.
Chega de exploração.
Eu me importo.
Eu me entorto.

Ignorância.
Insignificância.

Parem.
Seus doentes, sarem!

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Benedito é Teu Nome.



Benedito acorda e lembra benditamente.
Que tivera um sonho bom, que bendita seria sua colheita.
Encheu sua boca para falar: "bendito és teu nome".
E prometeu promover o bem.

Mas se Benedito pudesse prever anos e anos de bondade;
E as belezas que se pode encontrar
No mundo e benditos sonhos;
Jogaria para o alto benditas canções.
Ele cantaria a noite, bendizendo seus anjos benditos.
Mas não as faz.
Cansa-se tanto que não lhe sobra uma bendita míngua de alegria.
Benedito é benevolente e bondoso;
Mas não consegue compartilhar bondade.
Bendita seja sua terra, bendito seja seu lugar.
Benedito não canta e não se alegra.
Continua parado, estático, seco.
Não canta, não se alegra, parece feito de pedra.
Trabalha benditamente.
Trabalha beneditamente, a seu modo.
Bendito seja Benedito e seu esforço.
Em algum dia de sua vida lhe restarão benditas canções.

Decide faltar do trabalho um dia, e dormir a tarde inteira.
Durante a noite, Benedito olha para o canto de seu quarto, um violão rústico.
Suas energias no máximo, as palavras vêm a cabeça.
Senta-se à área e dispara acordes ritmados;
Benedito canta, com voz rouca e cansada.
Chegou o dia, do qual lhe restaram bonitas canções.
Uma estrela cai, e Benedito sorri.
Bendizei este momento, Benedito!
Este é o mundo bendito em que você vive.

domingo, 15 de abril de 2007

15 de Abril.

As medinas choram por calamidade.
As superfícies gozam por amizade,
E meus sonhos escapam de um estado febril.
Irei sorrir por um momento, é quinze de Abril.

O sangue ariano ferve por maioridade.
Os motores da vida mudam com a idade.
Olhos para trás e vejo que tudo serviu.
Gargalhei por um momento, é quinze de Abril.

Posso esmaecer, e flutuar por um tempo.
E ficar por um momento, das minhas culpas isento.
Coloco todas minhas intenções em um funil.
E choro, é quinze de Abril.

Atingindo o ápice da queda.
Rasgando de todos os modos a seda.
E andando no meio de uma densa selva.
Penso bem e mando tudo para a puta-que-pariu.
Sorri, chorei, gargalhei, é quinze de Abril.

sábado, 14 de abril de 2007

Deixe o Mundo Respirar.

O mundo não te sufoca.
É idiotice pensar nisso, é balela.
Você é que sufoca o mundo, pensando em alguém.
Em grande consternação você se joga.
Dez, vinte, trinta vezes.
E tudo fica como sempre no final.
E não há o que possa lhe trazer de volta, afinal.
Senhoras e senhores, o palhaço chora.
E deixa suas lágrimas no chão do circo, corroendo a tristeza.
O mundo está sufocado de diversas formas, não tente piorar.
Palhaços não fazem rir, mártires não despertam piedade.
Não force o mundo a respirar, não há respiração artificial pra ele.
Ele está vivo, pelo menos até agora.
O futuro está ofegante e o passado morreu sufocado.
Sem ar, congelado na minha densa fria floresta de neurônios.
Morreu na superfície da minha gélida alma.
O calor presente no meu peito esfria minhas mãos.
Descubro a cara do mundo e paro de sufocá-lo.
E esse calor libera substâncias tóxicas em meu coração.
Não quero pensar em mais nada.
Deixe o mundo respirar.
Deixe as folhas caírem cansadas no chão.
Irei juntá-las qualquer dia e jogarei ao vento depois.
Assim como jogo minhas palavras no ar.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Mãos Dadas. (Ou Não)

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Mas o mundo caducou e ficou maluco.
Minhas dívidas caducaram e desapareceram.
E eu me tornei um homem com as mágoas que sumiram.
Não cantarei de modo algum o mundo futuro.
Falarei sobre o passado, que deixou seus vestígios no local.
O crime cometido pelo tempo em seu furo.
Sofrer pelo que foi e o que há de vir, nunca!
Não sou um profeta, tampouco um mártir.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
De modo vil, olho-os com pouco caso.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
A realidade de não nutrir essas grandes esperanças.
A realidade de não contar com as pessoas às vezes.
O presente é grande, não nos afastemos.
Mas o futuro é maior, vamos adiante!
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Mas saiba a hora se soltá-las.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Apenas contarei sobre elas, de modo pouco passional.
Não entregarei amores sem amar.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Quando suspirar, fugirei de minha casa atráves dela.
Quero ver o mundo noturno pela milésima vez.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Nunca, induzirei as pessoas a se ponderarem, pelo menos por um tempo
Preciso me ponderar também.
Antes de fugir para uma ilha ou ser raptado por um serafim.

[Tapinha nas costas, Carlos Drummond de Andrade, Deus o tenha.]

sábado, 31 de março de 2007

Esmaecimento - Parte I

Estado Primário.

Estive retratando o mundo atual.
A passo fundo, retendo o luar.
A uma velocidade elétrica, fenomenal.
Um ardor vindo no corpo, esmaecimento a se dispersar.
Uma incrível devastidão de locais para me localizar.
Venha e faça as folhas caírem, passe seu sopro gelado sobre minha nuca.
Que estado mais estranho.
Os frutos da minha estação mental
Por mais que eu tente esquecer as origens de um verão cheio de luz.
E por mais que as estações não signifiquem nada, eu insisto.
Minhas rimas vão acabando com o tempo e apenas meu sentimento fica à mostra.
Outra vez, me sinto diferente.
Me sinto transparente.
Indiferente, impotente, incandescente.
Ardo nas águas que me refrescam.
A linha do amor e "não-sei-o-quê"
Unidos em minhas palavras em um discurso direto.
Eu jogo meus versos ao vento e eles vão se empilhando sozinhos.
Como um livro que conta uma estória, da qual apenas eu sei.
Na verdade não há estórias reais ou imaginárias.
São apenas relatos.
São apenas relutos.
Que sinceridade absurda ao escrever.
Que honestidade em não escolher as palavras, como geralmente faço.
Comecei poeticamente, e meu cérebro manipula as palavras sem piedade.
Esta é minha verdadeira alma, estou nu diante das palavras.
Essa é minha verdadeira calma, estrada para a minha serenidade.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Disfarce.

Como o homem jovem pôde deixar sua inspiração?
Deixar sua máquina de escrever embolorando?
Ah! Ele apenas quis dar um tempo para sua criação!
E deixar suas palavras ao léu, que ao céu vive incitando.
Poderia lamber o açúcar presente em suas mãos,
Que trabalham de acordo com seu cérebro coberto pela calma
Que trabalha com seu coração.
Que escreve instintivamente com sua alma.
Ele parou por um tempo.
Parou de escrever, mas não de sentir.
Por um tempo, provar o açúcar de sua mão e se redimir.
Esquecer de poesia por um tempo e sucumbir.
Entrar na Terra do Nunca por um momento e sumir.
Conseqüência de um excesso de escrita.
Conseqüência de uma normalidade anormal em sua vida.
O homem jovem deixa seu jardim da poesia.
E clama aos céus apenas por amar em demasia.
É o máximo que ele pode agüentar.
Abrir a porta do carro para uma jovem e deixá-la entrar.
Olhe para seu rosto.
Faça isso ao teu gosto.
Onde está seu romantismo?
Onde estão seus -ismos?
Foram-se com o tempo, como um turbilhão.
Estavam aqui, escritos em sua emoção.
Às vezes eu acho que ele escreve com açúcar na mão.
Ele volta a escrever, mas se disfarça para isto.
Suas palavras adocicadas tocam todo mundo.
Mas ainda seu gosto na boca é meio amargo.
E ele tem capacidade de cantar uma música com uma lágrima no fundo.
Transformar alguns versos em um profundo afago.
Uma mescla de felicidade e solidão, da qual só Deus pode entender.
Não se sente sozinho, apesar de com o tempo esmaecer.
Pessoas que escrevem deveriam ser proibidas de sentir.
Os textos se tornam passionais demais para uma pessoa ler.
Tão cheios de sentimentos profundos, que alguém poderia se ferir.
A pessoa tomará a dor deste homem, e pegará a esperança que ele traz.
"Poetas estúpidos, não servem para nada."
Penso, sem nenhuma dó do rapaz.
Mas a medida que escrevo isso, a poesia se forma e se satisfaz.
Acabei de tomar a dor deste jovem e esqueço minha meta.
Na verdade, estou dentro de minha sala, disfarçado de poeta.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Arcas Mais Velhas.

"Arcas mais velhas se revelam como fendas em uma parede.
Começando pequenas, mas crescendo com o tempo.
E parece que sempre precisamos da ajuda de alguém.
Para consertar aquela estante.
Há livros demais, leia-me sua frase favorita.

Papai foi para outras terras e encontrou alguém que entende
O tique-taque, e a necessidade do homem ocidental de chorar
Ele voltou há alguns dias, sabe...? Algumas coisas na vida podem mudar
E algumas coisas permanecem iguais

Como o tempo, sempre há tempo em minha mente.
Então passe por mim, eu ficarei bem, apenas me dê um tempo.

Senhores mais velhos sentam-se em uma cerca com seus quepes nas mãos.
Parecendo grandiosos, eles observam sua cidade mudar.
As crianças gritam, pelo menos parece, mais alto do que antes
Nas ruas, e dentro de lojas com nomes maiores.
Mamãe tentou lavar-lhes o rosto, mas essas crianças perderam seu encanto.
E o papai perdeu nas corridas vezes demais.

Ela sucumbiu outro dia, sabe?
Algumas coisas na vida podem mudar,
Mas algumas coisas permanecem iguais,
Como o tempo, sempre há tempo em minha mente.
Então passe por mim, eu ficarei bem.
Apenas me dê um tempo."

Composição: Damien Rice

sábado, 24 de março de 2007

Rindo Sozinho.



Perguntaram pro gracejador se ele era feliz.
Do jeito que vivia, do jeito que ria.
Ele respondeu bravo, dizendo que tinha a vida que quis.
Que era comediante, mas que sua vida era mais que pintar o nariz.
E isso e outras coisas ele dizia.
Mas eu não me lembro bem.
Mas eu me lembro que ele foi além.
Perguntaram se ele era triste por não ter ninguém ao seu lado.
Soltou uma grande gargalhada.
Debochando do entrevistador, com sua cara varrida:

"Rapaz, isso é apenas uma piada?
Se for, foi a melhor que ouvi na minha vida!
Não preciso de ninguém, nem no meu leito nem no meu altar.
Dou risada e gosto de poucas pessoas, o meu fraco é amar."

Por fora ele ri, mas por dentro ele se martiriza.
Enquanto sai do circo e toma da manhã a fria brisa.
Lembrando que já fora feliz.
Que já teve pessoas especiais ao seu lado.
Que trocou sua casa pela lona e pelo uniforme rasgado.
Ele não tem a vida que quis!
E neste dia, uma falsa entrevista foi ao ar:
Intitulada de "O palhaço que não sabe amar."

quarta-feira, 21 de março de 2007

Ficção Científica.

Tentei por muito tempo, estar ciente.
Me sentindo apenas parte da ciência.
Me sentindo espremido, impaciente.
Me exprimir, me expressar.
Não como uma pessoa qualquer, coerência.
Jogando expressões de desânimo no ar.
Enquanto resisto a resistir, resistência.
Passei noites em claro, tentando manipular a serotonina.
Tentando juntar ligas carbônicas para formar cristais.
Criando medicamentos para aliviar sua dor, menina.
Pensando o que fazer e o que não fazer, jamais.
E com a minha mesa de experimentos exposta,
Fechei minha cabeça a uma felicidade imposta.
Com esse meu rosto exposto.
E tudo o que me foi imposto.
O cristal se formou, mas virou carvão.
E todos os meus medicamentos têm algum tipo de contra-indicação.
Toda serotonina criada, causou apenas desespero às minhas cobaias.
Minha apresentação científica fora coberta por vaias.
Mas é apenas ficção.
Aprendi que ninguém manipula sentimentos ou a felicidade.
Que ninguém pode criar fortuna ou amizade.
Ficção.
Ainda bem que é ficção.
Sou um cientista frustrado.
Um homem prostrado.
E abandonei essa minha profissão.
E aqui faço minha confissão.
Mais que isso, digo com sinceridade:
Cada dia que você tenta fazer a fórmula da felicidade
É um dia a mais debitado na sua idade.
Pois ela aparece em sua vida, em abrupta serenidade.

sábado, 17 de março de 2007

A Arma, A Alma e A Calma.

Quando os soldados abaixarem suas armas haverá paz, não é?
Não é?!
Eu sou um soldado, e irei abaixar minha arma.
Não resolveria nada te matar.
Existe paz apenas por isso?
Era para existir, eu abaixo minha arma e mantenho meu punho fechado, em direção à sua cara,
Para que meu soco te ensine algum tipo de lição.
De que adianta abaixar minha arma?
Minhã mão está alcançando seu queixo.
Está quase fora de controle.
O controle do mundo está se fechando contra ele mesmo.
Na verdade, o controle está fora do controle, fora de controle.
Na verdade, tentamos controlar e não vemos o quanto somos controlados.
Paro minha mão.
Do mais, continuo com o punho aberto em direção à sua bochecha
Para te acordar desse sonho absurdo.
Sonhar que você pode controlar a realidade.
Achar que pode ter este lugar inóspito na palma de sua mão.
Treinar diálogos no espelho e fazer expressões faciais, para descobrir quem você é.
Tentar mostrar serviço à um líder que te controla.
Colocando sua alma desse jeito na minha frente.
Eu condeno o esforço, pois ele pode ser em vão.
Mas também o acho essencial, pois ele que te fortifica.
Abaixo minha mão e aperto a sua.
Você é igual a mim, caro amigo.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Recital de Insultos de Styr.

- Bom dia pessoal, meu nome é Styr.
Hoje eu queria fazer algo diferente hoje.
Algo diferente na minha peça de teatro.
Algo que nunca fiz antes, em toda a minha vida:
Mandá-los para a PUTA QUE OS PARIU!

*vaias*

- Puta merda, vocês não têm o que fazer?
Vir à essa merda de espetáculo para esquecerem suas vidas vazias?
Esquecer do trabalho que sustenta vocês?
Vocês riem aqui, e suas vidas continuam como lixo, de que adianta?
Vocês levantam e se esforçam, mas não fazem nada para mudar o mundo!
-Alguém está assistindo vocês pelo lado de cima, e este alguém está decepcionado com vocês.

*vaias*

- Vão se foder! Que mesquinharia!
Estou entediado com toda essa massa de "pessoas comuns".
O que é comum?
Ter um sonho pequeno e humilde?
Jogar toda a porcaria que você faz no mato?
Levantar cansado, ficar cansado durante o dia e ir dormir quase morrendo?
Essa rotina de vocês tirou a merda do conceito de felicidade das suas cabeças.

*silêncio*

Você, jovem!
Você mesmo!

*chama um garoto de dezenove anos*

- Você é "Um".
Um idiota.
Por achar que é normal.
Por achar que é MAIS UM.
Você é especial, porra!
Vá além e sonhe.
Que merda moleque!

*empurra o jovem, fazendo-o cair no chão.*

- Quantas vezes você jogou pessoas na lata do lixo?
Quantas vezes?
Seu cretino!
Pessoas que gostavam de você, seu idiota.
Aqui não é mais um simples espetáculo, é sua redenção social.
Toda a merda que você fez, toda essa sua arrogância.
Esse teu jeito me enoja.
Todo fortão num dia, e tão fraco no outro.
Você está sujo e humilhado agora, mostre quem você é.
Vai logo moleque!

*o garoto se senta na platéia, e Styr volta a falar com o público*

- De que adianta ficar pregado num livrinho "B" qualquer?
Sua cultura é um lixo, e sua cultura deixa você chato.
A cultura inútil apodrece as pessoas, as deixam com o ego muito alto.
Esse ego de vocês está muito alto, e vocês precisam abaixar isso.
Vão procurar uma instituição qualquer.
De preferência um manicômio.
Esse ego alto de vocês é caso de internação.

*silêncio*

- Seus filhos da puta, a vida não é como um teatro.
Não fiquem atuando quem vocês são, estúpidos.
Olhem para frente.
Se vocês não olharem, chutarei vocês, na bunda.
Cada um de vocês, são cada um.
Essa revolução conjunta me enoja.
A verdadeira revolução acontece dentro de você.
Não pare.
Não sejam esses animais mecanizados.
Esses bichos mentirosos.
Sejam vocês.
Eu pinto a cara e finjo ser outra pessoa porque é meu trabalho.
Se fingir por outra pessoa não engorda suas contas bancárias.
Otários.
Não esqueçam de toda essa merda que disse aqui pra vocês hoje.
Vocês são especiais, e têm sonhos.
E é isso que vos iguala a todo mundo.

*encerra, chamando o jovem ator de 19 anos, dando as costas para o público.*

sábado, 10 de março de 2007

Um Tal de "Não-Sei-O-Quê"

Os poetas mortos dizem, falam sobre um tal de "não-sei-o-quê".
Que "não-sei-o-quê" é ferida que dói e não se sente.
Que "não-sei-o-quê" é fogo que arde sem se ver.
Que é o descontentamento descontente.
Que "não-sei-o-quê" é uma dor, um tédio.

Mas "não-sei-o-quê" é justamente a arte de não saber ao certo o que se sente.
É algo que não se explica.
Que não precisa ser explicado.
Pois você sabe o que é, mas não sabe definir.
Não adianta ficar inventando significados para o que não se sabe.
Definições estúpidas para algo que está aí dentro de você.
Está aí e pronto.

Até inventaram uma palavra específica para isso:

As pessoas usam demais, ou de menos.
Merecidamente ou não.
O substantivo é simples e significativo.
Resta apenas dizer que depende do conceito.

Não adianta ficar utilizando princípios bestas.
Frases feitas.
Metáforas.
Sinestesias.
Tudo isso é muito vago para o entendimento de algo que não se sabe realmente.
E "não-sei-o-quê" você pensa, todo dia.
"Não-sei-o-quê" está aí!
E eu sei porque está!
Está aqui dentro.
Eu sei por que me disseram.
Em sonhos.
E nos meus mais estranhos pesadelos.
"não-sei-o-quê" acontece.
E você se vira, com a confusão nos olhos.
Justamente por não saber, ou saber demais.
É um ciclo, sabe?
Isso soa repetitivo.
Mas não sei ao certo se você sabe.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Vigésima Postagem



É minha vigésima postagem. Às vezes, as palavras faltam, sabe? Sabe?
Eu sei que você sabe.

domingo, 4 de março de 2007

Estranhos Por Um Minuto.

Estranhos por um minuto, conhecidos pela eternidade.
De um mundo que possui as mesmas coisas, mas não a mesma idade.
Somos dois, dando um nó na vida, crendo em um futuro reluzente.
Distanciamento das palavras, e um abraço caloroso enche isso.
Preenche, e sinto que meu peito chora por mais.
Me dê este seu sorriso e me deixe feliz, conte uma piada.
Essa tua seriedade me cega os olhos, e essa sua fé me enche de alegria.
A rua fica pequena diante de tanto espaço.
E pai, quantas vezes andei na sua cola, tentando colar seu jeito de ser?
Não há razões para mantermos esse palmo de distância entre nós.
Me abrace forte, sou um filho perdido em pensamentos.
A claridade dos seus olhos, refletindo a divindade em seus óculos.
A verdade em saber, um amor recíproco sem reciprocidade.
Sua calma me acalma, seu jeito me fascina.
Introversão.
Esta serenidade que parte nossos corações.
Faz muito frio, e posso estar equivocado,
Mas esse nosso amor distante nutre, e estamos nos importando com isso.
Mesmo que não pareça.
Sim, mesmo que não pareça.

Dedicado ao meu Pai.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

The Rocketman Saga.




Chapter I - Prologue.

Dominating the eight worlds to keep this pain alive.
The people seems to be too blank to understand.
Now this pain exales my exile.
Old and torn, my book of life.
I'll open the first page and say my name.
I learned the confinement of this poor young soul.
I'm just dancing with the dead, among the living ones.
Just sixteen years old and too much consequences to suffer.
Innocent, and good of heart.
My invention of two years will be ready for a time.
While I breath beautiful passions on this life.
She gave me the world and threw my heart away, disappear.
I'm too young to understand love.
But I found it.
The collapse of my heart.
The start of a beautiful feeling.

Chapter II - The Happiest Day.

We were happy, and nothing can take my thought away from you
Your deep image in my brain, possessing a large part of my part
My part of heart, the land of my love.
I was walking around and I found you.
Breathing the fog, upon the endless violence.
I wanna take you out of there.
Would stand anything to keep this feeling over me.
I met you.
With awesome beauty, singing with all your forces.
Suffocating the Earth with a voice that comes from the heart.
I was in the place where the magic happens easily.
Together, facing the sun like birds.
Touching the streams of this lonely soul.
While we contemplate the nature at its egde.
We were Happy, and nothing can take my thought away from you.
I can throw all my love inside you, and I don't know.
Show me how to survive, If I miss you someday.
Fields of cherish, I'm there.
Happiness.
The idea of being a rocketboy is futile for a moment.
Flying without wings, without machines.
We walk together, - 'til death torn us apart.

Chapter III - Death, Exaling My Exile.

And once again the earth told me the truth.
They talk about faith and love.
Important things that make no sense.
The truck over her chest.
I'll pray for her.
More than this, I'll bring her soul back to Earth.
It's hard to believe.
Accident.
Would like to see her face, on the earth, once again.
I'm there, crying for her soul.
Trying to see her sealed figure.
It's closed now.
Disaster.
They say accident, I say bad luck.
And why?
Unacceptable death.
I'd smash the face of the truckman.
An entire family died, and there's nothing that can change it.
Why?
Sealed boxes in a white room.
And my tears are infinite for a time.
After much time.
Discovering things.
Physical thoughts of flying the sky.
Making my project.
I'm just a boy tryin' to go higher
I'll travel the seven seas.
She is a star now, and I'll find her.
This pain exales my exile.
Travelling away to the sky.
To the black space.
To nowhere, where the orbits have no sound.

Chapter IV - Falling Into The Unknown.

The machine fails.
I saw the angels flying
And when I'm falling.
I will never reach your star.
I look down below.
The world seems bigger.
Falling endlessly in a land of pure snow.
Into the unknown, I am there.
Here I am.
I'm falling to find you and my grave is ready.
Rocketmania damnation.
I can't stand a life falling into the unknown.
Like so many times before.
But now I'm falling with my body.
I'm Playing a game with myself.
Live or die without you, what's the matter?
All my life passes before my head.
And I try to understand why.
Think about the world, you're living trapped inside yourself.
I can hear your heart.
Talking sweet words in a bitter world.

Chapter V - Epilogue.

I've fallen into the winter.
In the soft snow, and I dream once again.
Her presence in my heart, God given to me.
I look to the sky and the star that shines to me meets perfection.
You're gone, and my journey ends now.
I'm nuts, and I need a little break.
And while I'm laid here, my legs don't move.
The red cross vehicle is coming.
Three men in white, with pity in their eyes.
Trying to tell me something.
They can't understand how an young man can make anything to see someone's special.
The rocket is broken, I'm broken with it.
Moving at the wheels, pushing this body to the front.
Walking without feet.
I can't stand it anymore.
Paralised, contemplating the sky.
And that star that we saw is there.
Shining without explanation.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Quebra-Cabeças


Á flor da pele, arrepio inexplicável.
Doce, em todos os sentidos.
Amor indubitável.

Posso ir além.
Primeira parte do quebra-cabeças finalizada.

Poderia desprezar todos os princípios do mundo e me envolver em alma muda.
Mas sua voz é tão doce!
Conforme entra por estes ouvidos cansados,
Mescla atenção e suspiro, admiração e aperto.
Como poderia abrir este presente, ao invés de ficar apenas o observando?
Sabe quando tudo muda e nada muda, ao mesmo tempo?

É quando você consegue identificar as coisas, e o mundo pára de fazer sentido.
Você para de interpretar as coisas e tenta agir mais.
Quebra-cabeças montado, mas falta uma parte, uma peça.
Essencial.

Existe algo muito além.
Muito além.
Grite alto.
Não sei o que acontece.
Por que essa luz é tão forte?
Ela me acalma, mas ao mesmo tempo desespera.
Atordoa o coração.
Não consigo odiar mais nada, e meu mundo está montado.
Mas a peça que falta no quebra-cabeças...
Ah! Esta faz uma diferença enorme.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Estrada Para O Infinito.

Eu qualquer fase posso atingir a simetria que me incomoda.
Deixando-a com o maior sentido possível.
Você sabe para que existe e sabe porque está onde está.
Apenas posso dizer que "tudo" não está ao meu alcance.
Nos olhos do elefante, grande e cinza, o brilho de ter feito tudo certo.
Nos olhos do homem, a simples sensação de estar no caminho certo, seja para o que for.
Me sinto ansioso.
Aliás, a ansiedade em pessoa ataca novamente.
Eu e a mim mesmo.
Com suas munições que não ferem sequer um inseto.
Com suas armas de riso, distribuídas à população.
Não sou um ator, vejo pessoas dizendo suas mentiras diárias.
Tentando jogar seus sonhos incompletos em cima dos outros.
Não sou um ator, se algo não fizer sentido, saiba que apenas fui verdadeiro.
A verdade não faz sentido, ela não é bem-bolada.
Eu tento abraçar o mundo, meu mundo.
Bem, está na hora de compartilhar tudo o que não sei.
Colocar as cartas na mesa e desprezá-las em seguida.
A vida não é um jogo, pego uma tesoura e pico as cartas, não quero jogar.
Em hipótese alguma pensei nisso.
Penso apenas em ser verdadeiro contigo, com o amor como guia.
A direção está clara.
As luzes de meu automóvel imaginário estão altas.
A estrada para o infinito com trânsito calmo.
Sem nenhuma frase de efeito em meu parachoque.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007



Porque o Sol, mesmo baixo continua brilhando.
E me cegando, de uma forma que nunca vi.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Momento Romancismo

Vindo do lago, a perdição.
Então me viro para o jardim do mundo.
Realmente, uma silhueta bela, com suas rosas presas ao cabelo.
Mesclando a vida com a perfeição.
Espatifando meu coração em júbilo.
Levando minha mente ao além.
Há certas cores que se mostram em beleza ímpar.
Os períodos de uma semente que fora plantada em solo amistoso.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

'Cause Without Your Love My Life Ain't Nothing But This Carnival Of Rust

Poesia pronta:



Letra:

"D' you breathe the name of your saviour in your hour of need,
And taste the blame if the flavor should remind you of greed?
Of implication, insinuation and ill will, 'til you cannot lie still,
In all this turmoil, before red cape and foil come closing in for a kill

Come feed the rain
'cause I'm thirsty for your love dancing underneath the skies of lust
Yeah, feed the rain
'cause without your love my life ain't nothing but this carnival of rust

It's all a game, avoiding failure, when true colors will bleed
All in the name of misbehavior and the things we don't need
I lust for after no disaster can touch, touch us anymore
And more than ever, I hope to never fall, where enough is not the same it was before

Come feed the rain...
'cause I'm thirsty for your love dancing underneath the skies of lust
Yeah, feed the rain
'cause without your love my life ain't nothing but this carnival of rust
Yeah, feed the rain
'cause I'm thirsty for your love dancing underneath the skies of lust
Yeah, feed the rain
'cause without your love my life ain't nothing but this carnival of rust

Don't walk away, don't walk away, oh, when the world is burning
Don't walk away, don't walk away, oh, when the heart is yearning
Don't walk away, don't walk away, oh, when the world is burning
Don't walk away, don't walk away, oh, when the heart is yearning"



AHÁ!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Lâmpadas Florescentes

Tive um sonho.
E pude andar sóbrio nele.
Escolher o que fazer ou não!
Assim como estou andando acordado:
Posso tocar todas as coisas que existem ao meu redor.
Posso sentir inclusive um gosto amargo na boca.
Alguma coisa inacabada.
A incerteza de ter ou não ser.
O sentimento de ser e não ter.
Posso manter minha mente fora do lugar.
Fazer tudo que gostaria de fazer.
Posso andar pelas salas, com suas lâmpadas florescentes acesas.
Acesas de um modo que jamais pude imaginar.
Luzes brancas, tanto quanto a neblina.
A felicidade está me contagiando aos poucos.
Posso sentir isto, através de minhas pupilas dilatadas.
Acordo limpo.
Durmo limpo.
Não há muito o que fazer, mas há muito o que seguir.
Seguir para a montanha, me isolar na multidão.
E pular novamente, tentando voar.
Em direção ao Sol, tão confiante quanto Ícaro.
Tempestade, venha e me derrube!
Agora me pergunto:
Vale realmente a pena?
Fernando Pessoa já respondeu a esta minha pergunta.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Mistakes.

Mistakes taken, mistakes given.
The world in a sight of minds believing.
Am I to give you the world?
We're drowned in agressions, a diary of an endless conversation.
The wind laughs for me, and takes me to a temporary calmness.
Sensation of something.
It's hard to tell you, when I have something to tell.
I'd miss... miss... everything.
The elements of my chase.
Our hands clapped so tight, to forget all the limits.
Dreams. Illusions. Enchant.
I'm really sorry.
Mistakes.
Yeah, mistakes.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Ciclo Vicioso.

Amamos. Choramos. Desistimos.
Começamos. Desenvolvemos. Terminamos.
Seguindo em frente.
Pisando no atoleiro, como se pisássemos em chão firme.
Tenho as respostas em mente.
Mas não consigo fazer as perguntas para mim mesmo.
Nem consigo achar alguém que possa me perguntar.
Me atiraria da ribanceira mil vezes, cairia e subiria de novo.
Tenho uma voz no meu peito implorando por mais mágica.
Um círculo vicioso, uma descarga emocional branda.
A mágica de ser apenas o que sou.
Sem fingir muito, sem esperar grandes progressos.
Sem narcóticos, sem grandes lamentações.
Nova vida.
Apenas me abrace.
Tente não chorar.
Minhas roupas já estão molhadas o suficiente.
A chuva cai e deserta meus pensamentos.
Uma esperança fria, incalculada.
Estava apenas me protegendo do que já sabia.
Gostaria de tocar a palavra amar.
Sentir o cheiro doce que me circunda.
Obter aquilo que ninguém jamais pôde explicar.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Poesia Em Assassinato.

Assassinei a métrica.
Escrevo versos enormes e não sei o porquê disso.
Alguns podem até dar mais que uma linha, pois não dou a mínima para a métrica, pois me parece careta escrever tudo certo.
Sílabas, estrofes, refrões, rimas.
Que se dane a arte.

É.
Sou
Um assassino.

O mundo não possui uma forma, assim como meus versos.
Não sou universal, falo de mim mesmo.
Sou egoísta.
Um maluco que acha que está fazendo grande coisa escrevendo.
Sou a folha que cai na calçada, seca e cansada, mas jovem.

Continuo a insistir.
Cismei que escrever me faria algum bem.
E faz!
Enquanto escrevo, minhas preocupações se dissolvem nas letras, nestas poesias que não possuem o menor senso de poesia.
São apenas versos.
Uma prosa em formato ilimitado.
Conversa direta comigo mesmo.
Mas a folha está em branco, e isso está longe de ser um monólogo.
Sou contraditório.
Posso odiar o que você faz enquanto meu riso está à mostra.
Não sou complexo, sou falso.
Ou tento ser verdadeiro.
Duas caras, duas faces, duas cabeças.
Levito várias vezes e depois caio no chão, de modo abrupto.
Eu costumo me ferir.

O Desabafo Do Construtor De Montanhas.

Sinto vontade de deletar essas poesias.
Assim como sinto vontade de deletar uma vida toda.
A fé entre a semântica imbecil da vida.
Poderia ajudar a aprimorar seus cinco sentidos, te esperar na estação mais conurbada.
Cheguei a acreditar no "para sempre" em um covil de pensamentos.
O sofrimento deu lugar à serenidade, pintada de prata.
Logo, terei um bolo de aniversário, oferecido aos cães.
Jogarei fora esse conhecimento, esta vida estúpida.
Mudarei os planos, tirarei os adesivos de meu carro.
Uma multidão grita o meu nome, com suas vozes roucas.
Tenho mais o que fazer, mais o que falar, mas enjaularam meu peito.
Culminou o ouro pelas minas de uma montanha que eu construí.
Construo e destruo, farei quantas vezes forem necessárias.
Sou apenas cafeína, apenas mais um.
A revolta abstrata de um coração insatisfeito.
Sou eu!
O mesmo de sempre.
Com suas poesias melodramáticas tentando conquistar alguém.
O poeta da satisfação instantânea.
O poeta da masturbação mental.
Sonhos, sonhos e mais sonhos.
Uma vida com pouca magia e poucos sonhos.
Percebem-me ser vazio e eu nego.
A máscara caiu.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Disritmia Passional.

Tenho muito sobre o que escrever.
Mas me faltam palavras.

Talvez palavras não fossem suficientes para descrever o que sinto.

É algo que penetra no tórax.
Fica circulando entre coração e pulmões.
Conforme passa pelos pulmões, prende a minha respiração e me tira um suspiro.
E quando passa pelo coração, acelera-o.
Uma massagem cardíaca produzida pelo sobrenatural.
E meus nervos não sabem distingüir entre dor ou prazer enquanto suspiro, com uma leve disritmia.
Na verdade o que sinto está além do prazer e da dor.

Bom dia, me sinto sufocado.

domingo, 21 de janeiro de 2007

Linha.

Outro dia tentaram ler minha mão.
Disseram que a minha linha do amor vai sumindo aos poucos.

Tente ler meus pensamentos.
Descubra minha vontade imensa de esfaquear a maldita vidente.
Pegar uma canetinha piloto e tentar prolongar essas linhas.
Apenas eu posso dizer o que está escrito em minha mão.

Tremendo melodrama, nem sei quem sou.
Me mostre o mundo.

Olhe para o meu rosto e apenas preste atenção.
Descobrirá alguém cheio de si.
E cheio de ti.
A linha do amor crescerá e se fundirá com os traços de seu rosto.

Máquina de escrever.

Escrevo e grito, como se estivesse sendo torturado.
Não há uma fórmula para a escrita.
Palavras jogadas ao vento, pensamentos puros colocados para navegar.

Não há como levar tudo a sério.
A minha máquina de escrever perdeu a tinta.
Pensei por um minuto em jogá-la no chão, e deixá-la em pedaços.
Descobri então que escrever, é a falta do que fazer mais construtiva.
4 horas da manhã, não tenho muito no que pensar.

Rasguei o papel.

Cansei de ser um poeta que não fala nada.
Que apenas distribui doces.

Escrevo meus princípios e meus prazerers.
A máquina perde a tinta quando há um acúmulo de cansaço ao escrever.

Eu escrevo e a tinta vai acabando.
Choro sobre a máquina, e lá se vai todo o meu trabalho,
Todo borrado.

O papel sulfite se trasforma em um lenço sujo de tinta.

Amenoextremo.

Rasgam-me as palavras.
Aquela distânica alela cheia de incômodo.
Não durmo a três dias,
Pensando e penando.
Uma certa alusão que me parece familiar.
Uma certa ilusão que me parece cotidiana.
Apenas um.
Apenas o mesmo.
Caramba, eu falo, falo e falo,
Em curtir, em tentar me divertir,
Algo que poderia dar inveja a qualquer Alberto Caiero da vida.
Mas consigo me retrair diante disso.

...Pois é. Nem eu entendo.