sábado, 17 de março de 2007

A Arma, A Alma e A Calma.

Quando os soldados abaixarem suas armas haverá paz, não é?
Não é?!
Eu sou um soldado, e irei abaixar minha arma.
Não resolveria nada te matar.
Existe paz apenas por isso?
Era para existir, eu abaixo minha arma e mantenho meu punho fechado, em direção à sua cara,
Para que meu soco te ensine algum tipo de lição.
De que adianta abaixar minha arma?
Minhã mão está alcançando seu queixo.
Está quase fora de controle.
O controle do mundo está se fechando contra ele mesmo.
Na verdade, o controle está fora do controle, fora de controle.
Na verdade, tentamos controlar e não vemos o quanto somos controlados.
Paro minha mão.
Do mais, continuo com o punho aberto em direção à sua bochecha
Para te acordar desse sonho absurdo.
Sonhar que você pode controlar a realidade.
Achar que pode ter este lugar inóspito na palma de sua mão.
Treinar diálogos no espelho e fazer expressões faciais, para descobrir quem você é.
Tentar mostrar serviço à um líder que te controla.
Colocando sua alma desse jeito na minha frente.
Eu condeno o esforço, pois ele pode ser em vão.
Mas também o acho essencial, pois ele que te fortifica.
Abaixo minha mão e aperto a sua.
Você é igual a mim, caro amigo.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Recital de Insultos de Styr.

- Bom dia pessoal, meu nome é Styr.
Hoje eu queria fazer algo diferente hoje.
Algo diferente na minha peça de teatro.
Algo que nunca fiz antes, em toda a minha vida:
Mandá-los para a PUTA QUE OS PARIU!

*vaias*

- Puta merda, vocês não têm o que fazer?
Vir à essa merda de espetáculo para esquecerem suas vidas vazias?
Esquecer do trabalho que sustenta vocês?
Vocês riem aqui, e suas vidas continuam como lixo, de que adianta?
Vocês levantam e se esforçam, mas não fazem nada para mudar o mundo!
-Alguém está assistindo vocês pelo lado de cima, e este alguém está decepcionado com vocês.

*vaias*

- Vão se foder! Que mesquinharia!
Estou entediado com toda essa massa de "pessoas comuns".
O que é comum?
Ter um sonho pequeno e humilde?
Jogar toda a porcaria que você faz no mato?
Levantar cansado, ficar cansado durante o dia e ir dormir quase morrendo?
Essa rotina de vocês tirou a merda do conceito de felicidade das suas cabeças.

*silêncio*

Você, jovem!
Você mesmo!

*chama um garoto de dezenove anos*

- Você é "Um".
Um idiota.
Por achar que é normal.
Por achar que é MAIS UM.
Você é especial, porra!
Vá além e sonhe.
Que merda moleque!

*empurra o jovem, fazendo-o cair no chão.*

- Quantas vezes você jogou pessoas na lata do lixo?
Quantas vezes?
Seu cretino!
Pessoas que gostavam de você, seu idiota.
Aqui não é mais um simples espetáculo, é sua redenção social.
Toda a merda que você fez, toda essa sua arrogância.
Esse teu jeito me enoja.
Todo fortão num dia, e tão fraco no outro.
Você está sujo e humilhado agora, mostre quem você é.
Vai logo moleque!

*o garoto se senta na platéia, e Styr volta a falar com o público*

- De que adianta ficar pregado num livrinho "B" qualquer?
Sua cultura é um lixo, e sua cultura deixa você chato.
A cultura inútil apodrece as pessoas, as deixam com o ego muito alto.
Esse ego de vocês está muito alto, e vocês precisam abaixar isso.
Vão procurar uma instituição qualquer.
De preferência um manicômio.
Esse ego alto de vocês é caso de internação.

*silêncio*

- Seus filhos da puta, a vida não é como um teatro.
Não fiquem atuando quem vocês são, estúpidos.
Olhem para frente.
Se vocês não olharem, chutarei vocês, na bunda.
Cada um de vocês, são cada um.
Essa revolução conjunta me enoja.
A verdadeira revolução acontece dentro de você.
Não pare.
Não sejam esses animais mecanizados.
Esses bichos mentirosos.
Sejam vocês.
Eu pinto a cara e finjo ser outra pessoa porque é meu trabalho.
Se fingir por outra pessoa não engorda suas contas bancárias.
Otários.
Não esqueçam de toda essa merda que disse aqui pra vocês hoje.
Vocês são especiais, e têm sonhos.
E é isso que vos iguala a todo mundo.

*encerra, chamando o jovem ator de 19 anos, dando as costas para o público.*

sábado, 10 de março de 2007

Um Tal de "Não-Sei-O-Quê"

Os poetas mortos dizem, falam sobre um tal de "não-sei-o-quê".
Que "não-sei-o-quê" é ferida que dói e não se sente.
Que "não-sei-o-quê" é fogo que arde sem se ver.
Que é o descontentamento descontente.
Que "não-sei-o-quê" é uma dor, um tédio.

Mas "não-sei-o-quê" é justamente a arte de não saber ao certo o que se sente.
É algo que não se explica.
Que não precisa ser explicado.
Pois você sabe o que é, mas não sabe definir.
Não adianta ficar inventando significados para o que não se sabe.
Definições estúpidas para algo que está aí dentro de você.
Está aí e pronto.

Até inventaram uma palavra específica para isso:

As pessoas usam demais, ou de menos.
Merecidamente ou não.
O substantivo é simples e significativo.
Resta apenas dizer que depende do conceito.

Não adianta ficar utilizando princípios bestas.
Frases feitas.
Metáforas.
Sinestesias.
Tudo isso é muito vago para o entendimento de algo que não se sabe realmente.
E "não-sei-o-quê" você pensa, todo dia.
"Não-sei-o-quê" está aí!
E eu sei porque está!
Está aqui dentro.
Eu sei por que me disseram.
Em sonhos.
E nos meus mais estranhos pesadelos.
"não-sei-o-quê" acontece.
E você se vira, com a confusão nos olhos.
Justamente por não saber, ou saber demais.
É um ciclo, sabe?
Isso soa repetitivo.
Mas não sei ao certo se você sabe.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Vigésima Postagem



É minha vigésima postagem. Às vezes, as palavras faltam, sabe? Sabe?
Eu sei que você sabe.

domingo, 4 de março de 2007

Estranhos Por Um Minuto.

Estranhos por um minuto, conhecidos pela eternidade.
De um mundo que possui as mesmas coisas, mas não a mesma idade.
Somos dois, dando um nó na vida, crendo em um futuro reluzente.
Distanciamento das palavras, e um abraço caloroso enche isso.
Preenche, e sinto que meu peito chora por mais.
Me dê este seu sorriso e me deixe feliz, conte uma piada.
Essa tua seriedade me cega os olhos, e essa sua fé me enche de alegria.
A rua fica pequena diante de tanto espaço.
E pai, quantas vezes andei na sua cola, tentando colar seu jeito de ser?
Não há razões para mantermos esse palmo de distância entre nós.
Me abrace forte, sou um filho perdido em pensamentos.
A claridade dos seus olhos, refletindo a divindade em seus óculos.
A verdade em saber, um amor recíproco sem reciprocidade.
Sua calma me acalma, seu jeito me fascina.
Introversão.
Esta serenidade que parte nossos corações.
Faz muito frio, e posso estar equivocado,
Mas esse nosso amor distante nutre, e estamos nos importando com isso.
Mesmo que não pareça.
Sim, mesmo que não pareça.

Dedicado ao meu Pai.