domingo, 30 de dezembro de 2007

Ansiedade Mórbida.

E afora a profundidade emana as lágrimas
Que deveriam provocar catarse súbita
Com as velhas excitações que a vida me promoveu
Espero de Deus ou de sábias entidades
Lavar meu espírito com sangue.

Eu sou as águas das enchentes
A luz que apaga enquanto as outras acendem
Suave compromisso gravado na madeira da árvore
Sentimental, procuro sempre meu espaço
Semeando e regando uma Terra tão desnaturada
Que vida é essa?
Que vida está por vir?

Para tudo, existe uma saída
Mesmo que seja pular do quinto andar
Para se livrar da facada do assassino
E morrer por si mesmo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

???

Se ao menos o toque celestial
Infiltrasse corpo adentro
E evitasse
Uma mágoa relapsa inconseqüente
Que resplande os votos da ignorância
Escapando da realidade
Contando cordeiros
Que pulam em câmera lenta
As horas não passam
O tempo me é inimigo
Sempre correndo atrás
Justificando o que nunca fui
Eu me atiro da montanha
Onde os monges falharam em meditar
O ar me é peculiar
As árvores
As sombras
As terras.

Perco o tempo. Perco o ar.
Perco a fala.

E saio da solidão absoluta, para conviver comigo mesmo.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Da Reconstrução à Explosão.


Numa folha qualquer eu reconstruo o arco íris;
E com suas demais cores vou reconstruindo o mundo;
Para reconstruir os poetas feitos de aço inoxidável.
Ser ou não ser construtor, eis a questão.
A questão é que cansei de apenas reproduzir o que sei.
Ao invés de desenhar, eu esboço um sorriso no rosto.
E me concentro apenas em navegar, apenas preciso.
Cada distância a mais é um quilômetro
As horas passam como minutos
Aceitando a luz do dia, como quem reconstrói o passado.
Chega!
Progressão é uma tremenda ilusão.
Como se o diferente fizesse difereça.
Como se a diversidade nos fizesse múltiplos.
A mente é a mesma, e o estado de espírito é frágil.
Até quando terei de dizer;
De condenar a condição humana?
Filósofos vagabundos!
As questões estão além do nosso alcance,
E a morte é complexa ao ver de qualquer um.
Coloque uma dinamite em um prédio e o exploda, com você dentro dele.
O que não edifica, explode.
Não necessariamente em suas mãos.
Não necessariamente em você.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Transição.

Como as mágoas que se afogam
E a agonia que se joga fora
Por ser um libertino aleatório
Que joga sua alma no fundo do poço
E a reergue, como o homem mais forte do mundo.

Lágrimas secas expiram
E me inspiram a existir
E me impedem de desistir.
E concomitantemente a vontade de viver mais intensamente.

É transição da fé para a crença no deus nada.

domingo, 21 de outubro de 2007

Casa.

Se ligarem para mim, diga que estou ausente
Diga que fui embora, para bem longe.
Para ter a certeza meramente peculiar de que alguém se importa,
Antes que a insatisfação bata à minha porta.
A cada pedra fora do caminho, um musgo para escorregar sobre
Isso é realmente necessário.
Apenas me deixe sozinho.

Se alguém citar meu nome, diga que morri.
Pelo menos para que a pessoa tenha uma comoção em meu nome
Não jogarei maldições em ninguém por existir demais
Apenas tentarei fazer minha própria diferença.

Se alguém vir aqui em casa, mande embora.
Não deixe ninguém entrar
As luzes estão apagadas
Os ventiladores estão desligados.
Saia da minha casa.

Pelo menos uma vez na sua vida.