domingo, 21 de outubro de 2007

Casa.

Se ligarem para mim, diga que estou ausente
Diga que fui embora, para bem longe.
Para ter a certeza meramente peculiar de que alguém se importa,
Antes que a insatisfação bata à minha porta.
A cada pedra fora do caminho, um musgo para escorregar sobre
Isso é realmente necessário.
Apenas me deixe sozinho.

Se alguém citar meu nome, diga que morri.
Pelo menos para que a pessoa tenha uma comoção em meu nome
Não jogarei maldições em ninguém por existir demais
Apenas tentarei fazer minha própria diferença.

Se alguém vir aqui em casa, mande embora.
Não deixe ninguém entrar
As luzes estão apagadas
Os ventiladores estão desligados.
Saia da minha casa.

Pelo menos uma vez na sua vida.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Centelha da Revolução.

Me deparei amargamente com os ternos temidos
A intriga oposicional, complexa, intacta
Enquanto aviões caem desesperadamente
Em uma tentativa vã de amargo descontentamento
E um molusco que consegue acabar com nossas férias tranqüilas
Em um litoral de pobreza, fome e miséria.

Mas afinal, quem sou eu pra denunciar?
A centelha da revolução não nasce em mim.

Me deparo constantemente com a depravação
Enlouquecida, feita de aço e fogo
Magnum calibre quarenta e cinco, carregada
Apontada para a cabeça vazia de um inocente.
Enquanto sanguessugas comandam os sete mares do Brasil
Apenas esbanjando aquilo que ninguém sabe ao certo o que é.

Afinal, quem somos nós para denunciar?
A centelha da revolução nasce em nós, mas insiste em morrer.

Se um dia eu tiver minha cabeça perdida
Por ouvir um noticiário mal comentado
Ou ler uma revista extremamente parcial
Me afogue no poço de ignorância.
O monstro fúnebre dos furtos.

Afinal, pergunto: quem somos nós para denunciar?
Quem somos nós para evitar?
Para incitar a revolução?

Somos nós! A própria revolta
A própria revolução.

Blogged with Flock

sábado, 28 de julho de 2007

A Volta Triunfal.

Em seu cavalo ele monta,
Relinchando palavras passionais,
Tacando seus estribos fora.
Os estribos que prendem sua língua.
Naturalidade enlouquecida, ele retorna ao seu posto.
A volta triunfal.
Para jogar seus versos contra a maré da sociedade.
Denunciar a tristeza e o falso moralismo.
Este é seu propósito.
Provavelmente ele montará no cavalo mais habilidoso,
Para poder contornar os problemas mundanos.
E também, provavelmente voltar ao seu cenário poético!
Olha veja! Um cavaleiro poeta!
Cruza de leste-a-oeste, tomando seu ponto de referência.
Destruindo os cadáveres ambulantes do passado,
E colhendo, mais uma vez, o que havia plantado,
Não importa se fosse trigo ou milho,
Ele quer espantar as intrigas e andar milhas e milhas.
Distante, se revolta e depois retorna.
Acho que você já ouviu tudo isso antes,
Trocentas vezes.

Blogged with Flock

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Desinteresse.

Posso crer
Posso obter
Esclarecer
Coisas desinteressantes
Só acontecem
Com gente desinteressante.

Se meu céu aquece
Sonhando seco
O vento venta na viela
Violentamente
Como quem procura se interessar

E meus interesses
Desinteressados às partes
O desinteresse das pessoas
Comigo, tão desinteressante

Se meu interesse interessasse a alguém
Talvez eu não me importasse
Seguiria o ritmo da melodia com classe
Com o desinteresse geral pelos desinteressados
Ninguém se interessa, ainda bem.

O desinteressa das pessoas por você
Apenas mostra o quanto você é desinteressante.

Blogged with Flock

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Falsos Poetas.


Falsos poetas corroem a democracia,
Num tom alto de dó si lá sol ria ria
Castrando os filhos cortados pela metade
Fazendo um estardalhaço em pleno halo da luz do dia.
Pentelhando os domínios englamourados da vaidade.
Juro! Eu não queria!
Jogar minhas falsas palavras enquanto você sorria.
Ouvir com meu ouvido de látex enquanto você dizia.
Comtemplando a tempestade torrencial da meia noite.
E tentando ameaçar a Morte com uma foice.
Foram-se minhas esperanças da criação.
E por mais que eu tente, minhas expressões perdem inspiração.
Estadia clandestina no hotel da vida.
Acho que não possuo cacife para não me entediar.
Em um quarto pintado com a tragédia enlouquecida.
Vindo para morrer, suposto por enterrar.
A falsa poesia adentra às minhas células
E a ex-canção dos versos presentes em vã concepção.
Conceituadas por uma desordem sistemática e sintomática.
As asas da emoção.
Cortadas.
Esteja firme e forme, a falsa poesia lhe entrará nos seus ouvidos verdadeiros.
E nem a verdadeira poderá retirar essa programação da sua mente.
Você está diferente.
Nem a verdadeira.

Dream Theater -
Status Seeker


Blogged with Flock