segunda-feira, 23 de abril de 2007

Denúncia Maçante.

Mundo mundo, pequeno mundo.
Mesmo que me chamasse Raimundo.
Não adiantaria muita coisa pra mim.
Rimar e rimar versos de dois em dois até o fim.
Estou perplexo com minha pequinez.
Injuriado com a moléstia que tu não vês.
Ganância e preconceito,
Palhaçadas em meio ao pleito.
Dinheiro ao alto mar afora.
Com a maçante denúncia que lhes implora.

A situação pena diante a sorte
Reduzidas as taxas da sentença de morte.
Armas, bestas mecanizadas jogam tiros pro ar
Enquanto monitores coloridos pregam o falso amar.
Jogam-se dos navios e se afogam no petróleo.
Enquanto trabalho e destruo meu dispositivo ósseo.

Paz por um momento:
Um memento.
Chega de destruição.
Chega de exploração.
Eu me importo.
Eu me entorto.

Ignorância.
Insignificância.

Parem.
Seus doentes, sarem!

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Benedito é Teu Nome.



Benedito acorda e lembra benditamente.
Que tivera um sonho bom, que bendita seria sua colheita.
Encheu sua boca para falar: "bendito és teu nome".
E prometeu promover o bem.

Mas se Benedito pudesse prever anos e anos de bondade;
E as belezas que se pode encontrar
No mundo e benditos sonhos;
Jogaria para o alto benditas canções.
Ele cantaria a noite, bendizendo seus anjos benditos.
Mas não as faz.
Cansa-se tanto que não lhe sobra uma bendita míngua de alegria.
Benedito é benevolente e bondoso;
Mas não consegue compartilhar bondade.
Bendita seja sua terra, bendito seja seu lugar.
Benedito não canta e não se alegra.
Continua parado, estático, seco.
Não canta, não se alegra, parece feito de pedra.
Trabalha benditamente.
Trabalha beneditamente, a seu modo.
Bendito seja Benedito e seu esforço.
Em algum dia de sua vida lhe restarão benditas canções.

Decide faltar do trabalho um dia, e dormir a tarde inteira.
Durante a noite, Benedito olha para o canto de seu quarto, um violão rústico.
Suas energias no máximo, as palavras vêm a cabeça.
Senta-se à área e dispara acordes ritmados;
Benedito canta, com voz rouca e cansada.
Chegou o dia, do qual lhe restaram bonitas canções.
Uma estrela cai, e Benedito sorri.
Bendizei este momento, Benedito!
Este é o mundo bendito em que você vive.

domingo, 15 de abril de 2007

15 de Abril.

As medinas choram por calamidade.
As superfícies gozam por amizade,
E meus sonhos escapam de um estado febril.
Irei sorrir por um momento, é quinze de Abril.

O sangue ariano ferve por maioridade.
Os motores da vida mudam com a idade.
Olhos para trás e vejo que tudo serviu.
Gargalhei por um momento, é quinze de Abril.

Posso esmaecer, e flutuar por um tempo.
E ficar por um momento, das minhas culpas isento.
Coloco todas minhas intenções em um funil.
E choro, é quinze de Abril.

Atingindo o ápice da queda.
Rasgando de todos os modos a seda.
E andando no meio de uma densa selva.
Penso bem e mando tudo para a puta-que-pariu.
Sorri, chorei, gargalhei, é quinze de Abril.

sábado, 14 de abril de 2007

Deixe o Mundo Respirar.

O mundo não te sufoca.
É idiotice pensar nisso, é balela.
Você é que sufoca o mundo, pensando em alguém.
Em grande consternação você se joga.
Dez, vinte, trinta vezes.
E tudo fica como sempre no final.
E não há o que possa lhe trazer de volta, afinal.
Senhoras e senhores, o palhaço chora.
E deixa suas lágrimas no chão do circo, corroendo a tristeza.
O mundo está sufocado de diversas formas, não tente piorar.
Palhaços não fazem rir, mártires não despertam piedade.
Não force o mundo a respirar, não há respiração artificial pra ele.
Ele está vivo, pelo menos até agora.
O futuro está ofegante e o passado morreu sufocado.
Sem ar, congelado na minha densa fria floresta de neurônios.
Morreu na superfície da minha gélida alma.
O calor presente no meu peito esfria minhas mãos.
Descubro a cara do mundo e paro de sufocá-lo.
E esse calor libera substâncias tóxicas em meu coração.
Não quero pensar em mais nada.
Deixe o mundo respirar.
Deixe as folhas caírem cansadas no chão.
Irei juntá-las qualquer dia e jogarei ao vento depois.
Assim como jogo minhas palavras no ar.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Mãos Dadas. (Ou Não)

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Mas o mundo caducou e ficou maluco.
Minhas dívidas caducaram e desapareceram.
E eu me tornei um homem com as mágoas que sumiram.
Não cantarei de modo algum o mundo futuro.
Falarei sobre o passado, que deixou seus vestígios no local.
O crime cometido pelo tempo em seu furo.
Sofrer pelo que foi e o que há de vir, nunca!
Não sou um profeta, tampouco um mártir.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
De modo vil, olho-os com pouco caso.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
A realidade de não nutrir essas grandes esperanças.
A realidade de não contar com as pessoas às vezes.
O presente é grande, não nos afastemos.
Mas o futuro é maior, vamos adiante!
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Mas saiba a hora se soltá-las.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Apenas contarei sobre elas, de modo pouco passional.
Não entregarei amores sem amar.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Quando suspirar, fugirei de minha casa atráves dela.
Quero ver o mundo noturno pela milésima vez.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Nunca, induzirei as pessoas a se ponderarem, pelo menos por um tempo
Preciso me ponderar também.
Antes de fugir para uma ilha ou ser raptado por um serafim.

[Tapinha nas costas, Carlos Drummond de Andrade, Deus o tenha.]