sábado, 16 de fevereiro de 2008

Esmaecimento Parte IV - A Personificação da Tragédia.

A personificação da tragédia é um homem lúcido
Que encarna a carne com seus pensamentos rústicos
Desanda por uma vida de dor e abuso
E navega sem fim por um cruzeiro em desuso
Atrapalhado pelo que já passou
E com os remorsos esclerosados que enterrou.

Nada é perfeito quando o coração está incompleto
E tudo é constante quando da rotina se é adepto
Encarno a carne da desesperança, da indivindade
Enquanto vou de longe em busca de uma identidade
Palavras vis
PensamentosComo fuzis.

Este sou, tragédia
Comédia comedida
Abstração obscura
Desvivência com a própria vida
Encanto pálido em sala segura.

E desaparece... como uma dedicação deletada
Uma solução enbriagada
Desvitória que se esmaece
Vida de sonhos
Colheita de vento
Evasão de sentimentos
Vida eterna, esmaecimento.

Uma guitarra sem acordes
E minha canção não parece ter sentido
Quando não se vive
Nem sequer por um momento
A triste dor do esmaecimento.

/list Pain Of Salvation - Dedication

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

O Soneto Sem Rimas do Último Dia de Existência.

Vagando por portas fechadas
Reclama pelas coinciências que lhe têm ocorrido
Em sua mais instante confusão
Ergue as mãos para o céu e morre

É o relapso da vida, nu e sem tempero
Tomando força de sentidos contrários
Como nunca fora resistente, alega fraqueza
Desiste por um tempo e persiste, contrariando a verdade

Fria lágrima, se joga do nada para lugar algum
Sofrendo milhas e milhas pela existência dada
"Tende piedade, Deus! Me livre desse fardo!"
Ser ele mesmo, causa certo desespero

As conclusões esmaecem
E as medianas metafísicas dividem
As águas da vida, de cabo a rabo; pra sempre.

sábado, 5 de janeiro de 2008

(Sem) Remorsos.

Estas portas tão vis
Fizeram de mim um sofredor desnecessário
Escarrado e mudo, andando pelos cantos
Morto, sumido e desumanizado
Pude sentir centenas de vezes
A falta do amor que eu nunca hei de possuir
Andando pelas minhas veias tão desarticuladas...
Me perdoe pelas coisas que eu disse
Mas eu terei de dizê-las outra vez
Para escapar da minha própria falsidade
Eu não sou flor que se cheire
Sou ácido, sou chato e não quero fazer parte
Dezenas de vezes eu me comprometi a ser
Mas como não sou e nunca vou ser
Me esforço constuindo em cima do que já está feito
Atraindo toda a verdade e excluindo o que não interessa
Nada realmente interessa
A única verdade é o fim.
Fim.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Ansiedade Mórbida.

E afora a profundidade emana as lágrimas
Que deveriam provocar catarse súbita
Com as velhas excitações que a vida me promoveu
Espero de Deus ou de sábias entidades
Lavar meu espírito com sangue.

Eu sou as águas das enchentes
A luz que apaga enquanto as outras acendem
Suave compromisso gravado na madeira da árvore
Sentimental, procuro sempre meu espaço
Semeando e regando uma Terra tão desnaturada
Que vida é essa?
Que vida está por vir?

Para tudo, existe uma saída
Mesmo que seja pular do quinto andar
Para se livrar da facada do assassino
E morrer por si mesmo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

???

Se ao menos o toque celestial
Infiltrasse corpo adentro
E evitasse
Uma mágoa relapsa inconseqüente
Que resplande os votos da ignorância
Escapando da realidade
Contando cordeiros
Que pulam em câmera lenta
As horas não passam
O tempo me é inimigo
Sempre correndo atrás
Justificando o que nunca fui
Eu me atiro da montanha
Onde os monges falharam em meditar
O ar me é peculiar
As árvores
As sombras
As terras.

Perco o tempo. Perco o ar.
Perco a fala.

E saio da solidão absoluta, para conviver comigo mesmo.