segunda-feira, 14 de julho de 2008

Tendo a Vida.

Sempre que seu sorriso me vêm à tona
Abusa-me de teus segredos jogados ao luar
Em mãos quentes, onde a alma de um soldado se apaixona
Me ocorre a súbita vontade de não hesitar
A permissão intercala meu paraíso
Com gestos de amarga loucura
Tendo a vida, amei demais
Como um vácuo desinstigante, acusado de usura
Desmitificando Platão, não quero olhar pra trás.

O Egito guardava seus mortos para que suas almas nunca esvaecessem
Mal sabiam eles que a alma se decompunha em solidão
Venha, sem valor, sem pudor, não faça alguma objeção
Tenho a vida sangrada por vidas ternas
A ordem da natureza em alto mar
Navego em busca de tiroteios
Sem nenhum amigo para ao menos me telefonar

À tarde minha vida se transforma em pesadelo
À noite o meu sono acalma minha opção
Mas nenhuma manhã pode apagar o que eu sei
Tudo o que possuo está em minhas mãos.

O tempo me deu vergonha na cara
Estou à mercê de tua vida
No tempo
Marcando consultas no médico para uma doença que nunca sara.
O meu principal remédio é o alento.

A Paciência, a Existência e a Música

Num dia absorvi
No outro, relevei
Dia seguinte, me identifiquei
Com os poços mórbidos de maldade
Falei
Para todo Mundo
Que a existência é vaga
Que tudo um dia acaba
Bem-vindo!
E vá com Deus.

N'outro dia, apareci cantando
Barítono impetuoso
Meu Lá é maior, sem Dó.
Canções pré-montadas
Colocadas categoricamente
Distribuídas em parcelas.
Mas ainda criadas como uma só.
O canto que me encanta
Me faz perder a voz
Vai entender...
Se em um dia me desfaço em pranto
No outro, me esmago em desencanto
Em desacato, ao Universo
Em teorias radicais
Proposições absurdas.
Que nunca possuem um fim coeso.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Esmaecimento Parte IV - A Personificação da Tragédia.

A personificação da tragédia é um homem lúcido
Que encarna a carne com seus pensamentos rústicos
Desanda por uma vida de dor e abuso
E navega sem fim por um cruzeiro em desuso
Atrapalhado pelo que já passou
E com os remorsos esclerosados que enterrou.

Nada é perfeito quando o coração está incompleto
E tudo é constante quando da rotina se é adepto
Encarno a carne da desesperança, da indivindade
Enquanto vou de longe em busca de uma identidade
Palavras vis
PensamentosComo fuzis.

Este sou, tragédia
Comédia comedida
Abstração obscura
Desvivência com a própria vida
Encanto pálido em sala segura.

E desaparece... como uma dedicação deletada
Uma solução enbriagada
Desvitória que se esmaece
Vida de sonhos
Colheita de vento
Evasão de sentimentos
Vida eterna, esmaecimento.

Uma guitarra sem acordes
E minha canção não parece ter sentido
Quando não se vive
Nem sequer por um momento
A triste dor do esmaecimento.

/list Pain Of Salvation - Dedication

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

O Soneto Sem Rimas do Último Dia de Existência.

Vagando por portas fechadas
Reclama pelas coinciências que lhe têm ocorrido
Em sua mais instante confusão
Ergue as mãos para o céu e morre

É o relapso da vida, nu e sem tempero
Tomando força de sentidos contrários
Como nunca fora resistente, alega fraqueza
Desiste por um tempo e persiste, contrariando a verdade

Fria lágrima, se joga do nada para lugar algum
Sofrendo milhas e milhas pela existência dada
"Tende piedade, Deus! Me livre desse fardo!"
Ser ele mesmo, causa certo desespero

As conclusões esmaecem
E as medianas metafísicas dividem
As águas da vida, de cabo a rabo; pra sempre.

sábado, 5 de janeiro de 2008

(Sem) Remorsos.

Estas portas tão vis
Fizeram de mim um sofredor desnecessário
Escarrado e mudo, andando pelos cantos
Morto, sumido e desumanizado
Pude sentir centenas de vezes
A falta do amor que eu nunca hei de possuir
Andando pelas minhas veias tão desarticuladas...
Me perdoe pelas coisas que eu disse
Mas eu terei de dizê-las outra vez
Para escapar da minha própria falsidade
Eu não sou flor que se cheire
Sou ácido, sou chato e não quero fazer parte
Dezenas de vezes eu me comprometi a ser
Mas como não sou e nunca vou ser
Me esforço constuindo em cima do que já está feito
Atraindo toda a verdade e excluindo o que não interessa
Nada realmente interessa
A única verdade é o fim.
Fim.